TOMADA DE SUBSÍDIO Nº 2
 A Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), no exercício de suas atribuições legais, torna pública a presente Tomada de Subsídios, com o objetivo de coletar contribuições da sociedade, acerca da necessidade, dos objetivos e dos possíveis modelos de regulação aplicáveis a cabos submarinos de telecomunicações no território brasileiro.
 O presente processo de participação é realizado no âmbito do item 40 da Agenda Regulatória 2025-2026, republicada por meio da Resolução Interna nº 523, de 27 de fevereiro de 2026.
 Em agosto de 2024, quando da atualização do Regulamento d e Segurança Cibernética Aplicada ao Setor de Telecomunicações, aprovada pela Resolução nº 767, de 07 de agosto de 2024, o Relator Conselheiro Alexandre Freire, na   Análise nº 46/2024/AF , acolhida por unanimidade pelo Conselho Diretor, defendeu a ampliação do controle ex ante do R-Ciber para alcançar as operadoras de cabo submarino em razão da criticidade da infraestrutura operada e por sua relevância para o ecossistema de telecomunicações brasileiro, bem como outras infraestruturas críticas, como os datas centers.
 Assim, a inclusão deste projeto é decorrência da evolução desses estudos, que culminou na apresentação de proposta, pelo Conselheiro Alexandre Freire, no Voto nº 7/2026/AF, no âmbito do processo da Agenda Regulatória relatada pela Conselheira Cristiana Leão, que foi unanimemente acolhidas pelo Colegiado, considerada a relevância estratégica dos cabos submarinos para a infraestrutura de telecomunicações do País. Trata-se de tema diretamente relacionado à conectividade nacional e internacional, à resiliência das redes e à mitigação de riscos associados à concentração geográfica e à segurança física e cibernética desses ativos.
 Conforme descrição do projeto na Agenda Regulatória: “ deve-se avaliar alternativas regulatórias requisitos mínimos de segurança física e cibernética, observância das recomendações nacionais e internacionais, obrigações de informação, governança interinstitucional e medidas de mitigação dos riscos decorrentes da concentração geográfica ”. O projeto tem meta de finalização da Análise de Impacto Regulatório – AIR e da respectiva proposta até o final de 2026.
 Contextualização
 Os cabos submarinos de telecomunicações desempenham papel estratégico na conectividade internacional do Brasil e para o funcionamento da economia digital, sendo essenciais para a prestação de serviços de telecomunicações, computação em nuvem, serviços financeiros, aplicações governamentais, circulação de dados e integração do país às redes globais. São responsáveis, assim, pela maior parte do tráfego de dados entre o país e o restante do mundo. A crescente demanda por serviços digitais, a expansão da economia digital e a necessidade de garantir a segurança, a resiliência e a competitividade das redes de telecomunicações tornam premente a discussão sobre o aprimoramento do marco regulatório aplicável a esses ativos.
 Os cabos submarinos constituem a espinha dorsal das comunicações globais, sendo responsáveis por aproximadamente 99% do tráfego internacional de dados do Brasil. Apesar de sua importância estratégica para a soberania, segurança nacional e desenvolvimento econômico digital, esta infraestrutura crítica possui disciplina normativa dispersa em diferentes instrumentos e esferas de atuação estatal, o que recomenda avaliação agregada quanto à necessidade de consolidação, atualização ou aperfeiçoamento do arcabouço regulatório sob a ótica das competências da Anatel.
 Ainda, observa-se concentração geográfica de pontos de aterragem e de capacidade internacional em determinados trechos da costa brasileira, com destaque para hubs consolidados como Fortaleza, Rio de Janeiro, Praia Grande e Santos, o que pode acarretar vulnerabilidades sistêmicas à conectividade nacional.
 Além disso, a crescente integração entre cabos submarinos, data centers , redes terrestres de alta capacidade e outros ativos da infraestrutura digital suscita a necessidade da análise de conveniência de uma abordagem regulatória coordenada, voltada à segurança, à resiliência, à confiabilidade e à atração de investimentos de longo prazo.

 Objetivo
 Esta Tomada de Subsídios, realizada no âmbito do item 40 da Agenda Regulatória 2025-2026, visa reunir informações, opiniões e sugestões que subsidiem a ANATEL na avaliação da necessidade de consolidação e atualização das regras aplicáveis aos cabos submarinos, abrangendo ações como:
 -Identificar e validar eventuais problemas regulatórios associados à falta de regulação específica para cabos submarinos internacionais que aterrissam no Brasil.
 - Coletar dados, evidências quantitativas e qualitativas, estudos de caso e experiências internacionais sobre a matéria, para subsidiar decisões.
 - Obter subsídios para a definição de requisitos técnicos mínimos de segurança, operação e manutenção.
 - Discutir modelos potenciais de certificação, autorização e fiscalização pela Anatel.
 - Receber e avaliar mecanismos de incentivo (fiscais, regulatórios, de licenciamento) para diversificação geográfica dos pontos de ancoragem.
 - Compreender os impactos econômicos, positivos e negativos, de diferentes alternativas regulatórias.
 - Analisar se as eventuais lacunas no arcabouço regulatório têm trazido dificuldades à conectividade do país e à chegada de novos investimentos.
Eixos temáticos e questões

Eixos temáticos e questões

As contribuições deverão observar, preferencialmente, os eixos temáticos e questões a seguir.


1 - Eixo 1 - Arcabouço regulatório

O atual arcabouço regulatório aplicável à infraestrutura de cabos submarinos é adequado?


2 - Eixo 1 - Arcabouço regulatório

Existem lacunas regulatórias que dificultam ou desincentivam a implantação, operação, manutenção ou reparo desses sistemas?


3 - Eixo 1 - Arcabouço regulatório

Há necessidade de consolidação normativa específica sobre cabos submarinos?


4 - Eixo 1 - Arcabouço regulatório

Existem barreiras regulatórias ou ausência de segurança jurídica para investimentos e inovação em cabos submarinos? Se sim, quais?


5 - Eixo 1 - Arcabouço regulatório

Quais ações regulatórias deveriam ter prioridade em eventual atualização normativa?


6 - Eixo 1 - Arcabouço regulatório

Quais instrumentos regulatórios ou administrativos seriam mais adequados para tratar da implantação, operação, manutenção e monitoramento desses sistemas?


7 - Eixo 1 - Arcabouço regulatório

Existem boas práticas regulatórias internacionais para a temática que poderiam servir de referência?


8 - Eixo 2 - Governança e coordenação institucional

Quais arranjos de governança institucional poderiam fortalecer a coordenação entre os diversos atores estatais envolvidos?


9 - Eixo 2 - Governança e coordenação institucional

Seria conveniente a criação de mecanismos de coordenação centralizada ou de uma “porta única” para determinados procedimentos relacionados a cabos submarinos?


10 - Eixo 2 - Governança e coordenação institucional

Quais processos poderiam ser objeto de coordenação centralizada?


11 - Eixo 2 - Governança e coordenação institucional

Como estruturar mecanismos de cooperação entre setor público e iniciativa privada?


12 - Eixo 2 - Governança e coordenação institucional

Há modelos internacionais de governança que poderiam servir de referência?


13 - Eixo 2 - Governança e coordenação institucional

Quais são as principais interdependências e os principais atores envolvidos na coordenação desse tema?


14 - Eixo 3 - Aspectos operacionais: implantação, manutenção, reparo e descomissionamento

Quais são os principais desafios nos processos de implantação de cabos submarinos no Brasil?


15 - Eixo 3 – Aspectos operacionais: implantação, manutenção, reparo e descomissionamento

Há necessidade de padronização de procedimentos e documentação?


16 - Eixo 3 – Aspectos operacionais: implantação, manutenção, reparo e descomissionamento

Os prazos de autorização e licenciamento são adequados?


17 - Eixo 3 – Aspectos operacionais: implantação, manutenção, reparo e descomissionamento

Os procedimentos atualmente aplicáveis à manutenção, ao reparo, ao descomissionamento, especialmente em situações emergenciais, são adequados?


18 - Eixo 3 – Aspectos operacionais: implantação, manutenção, reparo e descomissionamento

Quais medidas poderiam reduzir o tempo de resposta pelos órgãos públicos competentes e aumentar a previsibilidade nesses processos?


19 - Eixo 3 – Aspectos operacionais: implantação, manutenção, reparo e descomissionamento

Há necessidade de regras específicas para proteção de cabos frente a obras públicas e outras intervenções?


20 - Eixo 3 – Aspectos operacionais: implantação, manutenção, reparo e descomissionamento

Devem ser consideradas regras para gestão de cabos redundantes, desativados ou fora de serviço?


21 - Eixo 4 - Segurança e resiliência

Quais riscos físicos, cibernéticos, ambientais ou operacionais devem ser considerados?


22 - Eixo 4 - Segurança e resiliência

Devem ser estabelecidos requisitos mínimos de segurança e resiliência?


23 - Eixo 4 - Segurança e resiliência

Quais medidas regulatórias podem fortalecer a proteção física e cibernética dos sistemas?


24 - Eixo 4 - Segurança e resiliência

É adequado estabelecer zonas de proteção com restrições de atividades? Se a resposta for afirmativa, quais atividades deveriam ser consideradas?


25 - Eixo 4 - Segurança e resiliência

Devem ser estabelecidas obrigações de monitoramento e notificação de incidentes? Se a resposta for afirmativa, quais incidentes deveriam ser reportados e quais entes públicos deveriam ser acionados?


26 - Eixo 4 - Segurança e resiliência

Como aprimorar o compartilhamento de informações entre operadores e autoridades públicas?


27 - Eixo 4 - Segurança e resiliência

Seria recomendável a realização de exercícios conjuntos de resposta a incidentes? Se a resposta for afirmativa, quais processos, fluxos ou atividades deveriam ser priorizados nos exercícios?


28 - Eixo 4 - Segurança e resiliência

A concentração geográfica atual representa risco relevante à conectividade nacional? Quais critérios e indicadores podem ser utilizados para avaliar esse risco?


29 - Eixo 5 - Ecossistema e incentivos

Que mecanismos podem incentivar a diversificação geográfica dos pontos de aterragem?


30 - Eixo 5 - Ecossistema e incentivos

Como a regulação pode estimular o desenvolvimento de novas regiões de aterragem?


31 - Eixo 5 - Ecossistema e incentivos

Como articular ações com Estados e municípios para viabilizar novos pontos de aterragem?


32 - Eixo 5 - Ecossistema e incentivos

Quais condições determinada região ou município deveria possuir para receber uma nova infraestrutura de cabos submarinos internacionais?


33 - Eixo 5 - Ecossistema e incentivos

Caberia atuação estatal para garantir acesso a landing stations em regiões menos atendidas, observados os limites regulatórios, concorrenciais e de segurança?


34 - Eixo 5 - Ecossistema e incentivos

Quais instrumentos podem incentivar a expansão da infraestrutura de retaguarda (redes terrestres, energia, data centers)?


35 - Eixo 5 - Ecossistema e incentivos

Como melhorar a coexistência entre cabos submarinos e outras atividades marítimas, inclusive pesca, navegação, dragagem, Parques Eólicos Off-Shore e obras costeiras?


36 - Eixo 6 - Monitoramento, informações e transparência

Há necessidade de aprimorar a coleta e o compartilhamento de informações sobre cabos submarinos?


37 - Eixo 6 - Monitoramento, informações e transparência

É conveniente a criação de um sistema de monitoramento da infraestrutura e de incidentes?


38 - Eixo 6 - Monitoramento, informações e transparência

Quais informações poderiam ser compartilhadas sem comprometer aspectos concorrenciais ou de segurança?


39 - Eixo 6 - Monitoramento, informações e transparência

Que indicadores poderiam ser utilizados para monitorar resiliência e conectividade internacional?


40 - Eixo 6 - Monitoramento, informações e transparência

A Anatel deve considerar a adoção ou incentivo a cabos submarinos com capacidade de sensoriamento (SMART cables)? Quais requisitos regulatórios e de segurança devem ser definidos?


41 - Eixo 6 - Monitoramento, informações e transparência

Quais tecnologias (como monitoramento distribuído por fibra, inteligência artificial e análise preditiva) podem melhorar a detecção de falhas e a resposta a incidentes em cabos submarinos? Existem barreiras regulatórias à sua adoção? Se sim, quais?


42 - Eixo 7 - Cooperação internacional

É necessário fortalecer a atuação do Brasil em fóruns internacionais sobre cabos submarinos? Em caso positivo, quais seriam os principais fóruns para atuação estatal na temática?


43 - Eixo 7 - Cooperação internacional

São necessários novos instrumentos bi ou multilaterais, ou ainda adesão a instrumentos já existentes, para conferir maior segurança jurídica e previsibilidade à instalação, operação e manutenção dos cabos submarinos?